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Esquizofrenia refratária: quando o remédio não resolve, o que fazer?

Editor do Portal 25 de setembro de 2010 Artigos, Blog 107 comments
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Apesar do inegável avanço do arsenal farmacológico para o tratamento da esquizofrenia, com medicamentos cada vez mais eficazes e melhor tolerados, estimativas indicam que um a dois pacientes em cada dez que se tratam não melhoram com a medicação. Este percentual pode aumentar se considerarmos aqueles que respondem parcialmente ao medicamento, mantendo, ainda assim, um nível significativo de sintomas que impactam sobremaneira a sua qualidade de vida.

A falta de resposta aos medicamentos pode estar associada a outros fatores, como a não adesão ao tratamento, com tomadas irregulares da medicação e interrupções frequentes, dosagens insuficientes ou excessivas, gerando baixa eficácia ou muitos efeitos colaterais, abuso de drogas e álcool, estresse crônico em decorrência de fatores sociais e familiares e gravidade da própria doença.

A esquizofrenia refratária (ou resistente) pode ser identificada quando, apesar do tratamento adequado, o paciente mantém sintomas agudos da doença, como delírios e alucinações, alterações graves do comportamento, desorganização mental marcante e isolamento social e emocional progressivos. A sensação que familiares têm nessa hora é que o tratamento não está funcionando ou mesmo que está trazendo mais malefícios do que benefícios em decorrência dos efeitos colaterais. A sensação de sobrecarga nestes casos aumenta muito, pois a família perde a esperança por não ver uma luz no fim do túnel.

A esquizofrenia não é uma doença incontrolável ou um atestado de insanidade para o resto da vida. Pacientes e familiares precisam compreender que existem alternativas à ausência de resposta aos medicamentos utilizados até o presente momento e que a pessoa pode se recuperar e ter uma melhor qualidade de vida no futuro.

A medicação indicada para os casos resistentes é a clozapina, cujo nome comercial no Brasil é Leponex, fabricado pelo laboratório suíço Novartis. Esta molécula existe desde a década de 70, mas, devido a um efeito colateral, foi suspensa e liberada somente na década de 90. Este efeito é conhecido como agranulocitose, caracterizado por queda dos glóbulos brancos, células de defesa do nosso organismo, também chamados de leucócitos. Isto deixaria a pessoa em risco de infecções. Estudos científicos e a experiência clínica ao longo dos anos mostraram que este efeito é raro e ocorre em menos de 1% dos pacientes tratados, o que foi determinante para que a medicação voltasse às prateleiras das farmácias no mundo todo.

O período de risco de agranulocitose é nos primeiros 4 meses de uso do medicamento, depois ela é ainda mais rara. Neste sentido, é recomendado que o paciente faça exames de sangue (hemograma) semanalmente nas primeiras 18 semanas, sendo possível assegurar que, caso ocorra redução dos glóbulos brancos, o medicamento será logo interrompido e os leucócitos voltarão rapidamente aos níveis normais, sem graves consequências para o paciente.

Os benefícios da clozapina são evidentes na maior parte dos casos refratários e não se justifica que ela seja relegada em função de um risco baixo. Muitos pacientes, que antes não tinham alívio para seus sintomas e que, em função disso, não conseguiam levar uma vida estável e produtiva, encontraram na medicação uma nova esperança em sua caminhada.

Se este é o seu caso, converse com seu médico e obtenha mais informações a respeito.

Nenhuma medicação será 100% eficaz se não zelarmos pela qualidade do ambiente e dos relacionamentos das pessoas portadoras de esquizofrenia, reduzindo o nível de estresse e melhorando a qualidade de vida na família e na sociedade.

107 comments

Editor do Portal - 3 de julho de 2017

Nick, sugiro que leia o artigo http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?p=5313 e converse com o médico dele sobre o tratamento com LAI (antipsicóticos injetáveis de longa ação)

Lia - 18 de setembro de 2017

Doutor tenho Cid 10 f 20 porque não durmo

Editor do Portal - 5 de outubro de 2017

Lia, a insônia não é um sintoma persistente na esquizofrenia. Ela pode estar presente em momentos de crise. Sugiro conversar com seu médico sobre isso.

Sucely - 10 de outubro de 2017

Boa noite. Minha irmã teve um surto 14 anos atrás. Estava num momento estressante. Foi internada, por 3 meses. Passou a fazer acompanhamento psiquiátrico, tomar haldol e biperideno. Passou estes 14 anos bem, trabalhando, fazendo as coisas dela. Até a última consulta, o cid era F 23.9 . Há 3 semanas atrás presenciamos um fato bem chocante, trágico , com uma parente nossa. Minha irmã ficou calada, e no outro dia estava com ar de tristeza, ao questionarmos ela disse sobre as alucinações que teve. Foi medicada no pronto atendimento. No dia seguinte, fomos ao psiquiatra( não a mesma que vinha acompanhando ela desde então). A psiquiatra Aumentou dose do haldol. A médica estava tratando como esquizofrenia, em viés de confirmação, com base na consulta e no retorno. Após o retorno, Entregamos o prontuário para ela estudar. A nova consulta será dia 30. Desde então estamos observando. E medicando ela. Ela aceita o tratamento, e é colaborativa. Não é agressiva. Porém está demonstrando alterações de humor. Ficou triste por uma coisa irrelevante, e minutos depois foi como se nada tivesse acontecido. Hj ficou brava, novamente por um motivo irrelevante, e minutos depois já tinha mudado o semblante. Gostaria de saber sua opinião, por gentileza.
Ela tem síndrome de Turner.

Editor do Portal - 18 de outubro de 2017

Sucely, alterações de humor são comuns na esquizofrenia e podem ocorrer em reação aos eventos estressantes do ambiente. Alguns pacientes podem se beneficiar do tratamento concomitante com estabilizadores de humor, não sei se seria o caso, somente a médica dela poderá avaliar. Outra terapia que ajuda bastante é a psicoterapia, pois o paciente aprende a lidar melhor com as situações da vida.

Natália - 23 de outubro de 2017

O que fazer quando nem mesmo a clozapina funciona e já se experimentou diversos medicamentos? Meu irmão tem esquizofrenia paranóide e a doença não regride.
Obrigada.

Editor do Portal - 31 de outubro de 2017

Natália, é necessário nesses casos ver se existem problemas de adesão, às vezes associar um antipsicótico de longa ação à clozapina melhora a resposta. Existem outras combinações da clozapina com outros antipsicóticos que podem auxiliar. O importante é conversar com o médico dele sobre essas opções.

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