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Esquizofrenia refratária: quando o remédio não resolve, o que fazer?

Editor do Portal 25 de setembro de 2010 Artigos, Blog 60 comments
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Apesar do inegável avanço do arsenal farmacológico para o tratamento da esquizofrenia, com medicamentos cada vez mais eficazes e melhor tolerados, estimativas indicam que um a dois pacientes em cada dez que se tratam não melhoram com a medicação. Este percentual pode aumentar se considerarmos aqueles que respondem parcialmente ao medicamento, mantendo, ainda assim, um nível significativo de sintomas que impactam sobremaneira a sua qualidade de vida.

A falta de resposta aos medicamentos pode estar associada a outros fatores, como a não adesão ao tratamento, com tomadas irregulares da medicação e interrupções frequentes, dosagens insuficientes ou excessivas, gerando baixa eficácia ou muitos efeitos colaterais, abuso de drogas e álcool, estresse crônico em decorrência de fatores sociais e familiares e gravidade da própria doença.

A esquizofrenia refratária (ou resistente) pode ser identificada quando, apesar do tratamento adequado, o paciente mantém sintomas agudos da doença, como delírios e alucinações, alterações graves do comportamento, desorganização mental marcante e isolamento social e emocional progressivos. A sensação que familiares têm nessa hora é que o tratamento não está funcionando ou mesmo que está trazendo mais malefícios do que benefícios em decorrência dos efeitos colaterais. A sensação de sobrecarga nestes casos aumenta muito, pois a família perde a esperança por não ver uma luz no fim do túnel.

A esquizofrenia não é uma doença incontrolável ou um atestado de insanidade para o resto da vida. Pacientes e familiares precisam compreender que existem alternativas à ausência de resposta aos medicamentos utilizados até o presente momento e que a pessoa pode se recuperar e ter uma melhor qualidade de vida no futuro.

A medicação indicada para os casos resistentes é a clozapina, cujo nome comercial no Brasil é Leponex, fabricado pelo laboratório suíço Novartis. Esta molécula existe desde a década de 70, mas, devido a um efeito colateral, foi suspensa e liberada somente na década de 90. Este efeito é conhecido como agranulocitose, caracterizado por queda dos glóbulos brancos, células de defesa do nosso organismo, também chamados de leucócitos. Isto deixaria a pessoa em risco de infecções. Estudos científicos e a experiência clínica ao longo dos anos mostraram que este efeito é raro e ocorre em menos de 1% dos pacientes tratados, o que foi determinante para que a medicação voltasse às prateleiras das farmácias no mundo todo.

O período de risco de agranulocitose é nos primeiros 4 meses de uso do medicamento, depois ela é ainda mais rara. Neste sentido, é recomendado que o paciente faça exames de sangue (hemograma) semanalmente nas primeiras 18 semanas, sendo possível assegurar que, caso ocorra redução dos glóbulos brancos, o medicamento será logo interrompido e os leucócitos voltarão rapidamente aos níveis normais, sem graves consequências para o paciente.

Os benefícios da clozapina são evidentes na maior parte dos casos refratários e não se justifica que ela seja relegada em função de um risco baixo. Muitos pacientes, que antes não tinham alívio para seus sintomas e que, em função disso, não conseguiam levar uma vida estável e produtiva, encontraram na medicação uma nova esperança em sua caminhada.

Se este é o seu caso, converse com seu médico e obtenha mais informações a respeito.

Nenhuma medicação será 100% eficaz se não zelarmos pela qualidade do ambiente e dos relacionamentos das pessoas portadoras de esquizofrenia, reduzindo o nível de estresse e melhorando a qualidade de vida na família e na sociedade.

60 comments

Editor do Portal - 24 de agosto de 2015

Cintia, antipsicóticos orais podem levar de 4 a 8 semanas para fazer efeito, claro que depende da dose e da gravidade de cada caso. Sugiro que entre em contato com o médico que trata ela. A internação está indicada em casos em que o paciente coloca sua vida ou a de terceiros em risco.

Editor do Portal - 24 de agosto de 2015

Valeria, pelo que você diz tudo está sendo tentado, agora é confiar nos profissionais que tratam dele para conseguir chegar nas doses adequadas de medicação e na psicoterapia e terapia ocupacional através do hospital-dia que podem judá-lo a ter mais recursos para lidar com suas próprias dificuldades. Boa sorte!

Marcelo Moreira de Souza - 23 de setembro de 2015

Boa tarde. Tenho uma irmã de 49 anos com esquizofrenia crônica que tornou-se uma ameaça à vida da minha mãe. Os médicos dos CAPS chegaram a conclusão que ela se encontra no grau máximo da doença. Minha mãe tem 70 anos e mora no Rio de Janeiro, cuidando dela sozinha, já apanhou várias vezes e não temos condições de colocá-la numa clínica, pois os custos são altos. O que fazer se nem mesmos os médicos conseguem uma evolução no caso dela? Não há apoio do governo em uma internação definitiva e os médicos já nos avisaram que precisa separá-las urgentemente, pois no caso dela pode até matá-la. Nos oriente por favor.

Lurdes - 24 de setembro de 2015

Dr; meu filho toma clozapina a mais ou menos 7 meses, so q está muito magro, fazemos exames de sangue regularmente, o q pode estar acontecendo?

David dos anjos silva - 27 de setembro de 2015

Dr. Minha mãe toma já faz MT tempo depakene 500mg e melheril de 100mg e o neozine de 100 também e já tem um tempo que ela não passa por um psiquiatra por falta de médicos aqui ela só troca a receita gostaria de saber se esses remdios perde o efeito ela não está MT bem e vem passado por um momento difícil com a separação

Editor do Portal - 10 de outubro de 2015

David, não é uma característica do tratamento perder o efeito com o tempo, exceto se existem problemas de adesão, ou seja, o paciente não toma remédios, ou se os fatores externos são desfavoráveis, o que parece ser o caso. Neste caso, você deve levá-la ao médico para que ele reveja as doses e os medicamentos.

Editor do Portal - 10 de outubro de 2015

Marcelo, temos alguns artigos que abordam a esquizofrenia refratária, quando o paciente não responde aos antipsicóticos tradicionais. Dê uma olhada no link http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?s=refratária.

Fabiola - 18 de outubro de 2015

Dr. Minha mãe sofre de esquizofrenia há uma 27 anos, vem fazendo tratamento mas no passar dos anos a doença tem piorado, já não tem maia uma vida social e não sai mais de casa a não ser pra ir ao médico, passou muitos anos tomando haldol, akineton, fluoxetina e clonazepam. Agora está sendo tratada por médica que atende pelo convênio, e está tomando quetiapina 200mg a noite e 50mg de dia, ela está mais calma comigo, já não está mais agressiva, mas ainda mantém os sintomas da alucinacao e de delírios as vezes é tão forte que acha mesmo que estão perseguindo ela, sei o que ela está pensando porque faz orações em voz alta e percebo os distúrbios que vem sofrendo, neste cenário o que devo fazer, pois não tenho liberdade pra conversar com a médica pois minha mãe acredita que não tem mais doença e acha que o remédio que toma e apenas para dormir.

Ana Goes - 22 de novembro de 2015

TENHO UMA FILHA REFRATARIA TEM 35 ANOS NUNCA TEVE UMA VIDA NORMAL ESTA ALUCINANDO O TEMPO TODO FALA SO EM COISAS RUINS E NAO CONVIVE SOCIALMENTE POR CONTA DO COMPORTAMENTO DA DOENÇA, ESTA COM INDICAÇÃO DE ECT MAS NAO CONSIGO FAZER É UM TRATAMENTO MUITO CARO ESTOU NA FILA DO HC DE SAO PAULO! PRECISAMOS DE AJUDA POR FAVOR SE ALGUEM SOUBER ONDE FAZER O TRATAMENTO DE FORMA SEGURA ENTREM EM CONTATO!

refratária + demência - 13 de janeiro de 2016

Olá. Minha irmã tem 50 anos e vem piorando desde a infância. Além da esquizofrenia refratária teve problemas no parto e piora a cada dia. Procurei dar uma vida “normal” a ela depois da morte de minha mãe, que a deixava trancada em casa, mas houve um atropelamento e ela piorou seu comportamento e reduziu os movimentos de um dos braços. O dia-a-dia está ficando insuportável e mantenho cuidadores 24 horas. Pode indicar uma casa de repouso em São Paulo ou nas proximidades?

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