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“Meu papel na recuperação do meu filho” – Depoimento de Selma

Editor do Portal 15 de abril de 2014 Blog, Depoimentos 64 comments
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Meu nome é Selma. Com 22 anos, meu único filho cursava o quarto período da faculdade e estava muito entusiasmado com seu primeiro estágio profissional numa rede hoteleira internacional. Com o filho na faculdade, o sonho da casa de campo realizado, o ápice da vida profissional atingido e a superação de dois tumores malignos pensava “agora é só colher os frutos e saboreá-los deitada numa rede debaixo de uma árvore”. Preparava-me para a aposentadoria.

Pouco tempo depois de iniciar o estágio, comecei a notar em meu filho uma indiscreta desinibição, euforia excessiva e o abuso de álcool e por duas ocasiões maconha escondida no armário. Joguei a maconha fora e tivemos uma conversa em que ele alternava entre a concordância com a autoridade materna e a rebeldia de um jovem que agora, pela primeira vez, tinha um salário próprio.

Esse estado alterado e a incapacidade em realizar as tarefas profissionais exigidas levaram a sua demissão e o afloramento da primeira crise psicótica. Nos três anos consecutivos, ele foi tratado como portador de transtorno bipolar de humor, não apresentando melhora e tendo muita dificuldade em aderir aos tratamentos medicamentoso e psicológico.

Nessa época, eu pouco entendia o processo da enfermidade mental e não sabia como me relacionar com esse NOVO filho. Vale ressaltar que a minha formação profissional como médica não me habilitava em lidar com a totalidade desse desafio, pois transcendia a mera informação científica. Exigia muito mais.

Com o aprofundamento da pratica da fé foi possível entender a doença mental como fato inerente de minha vida. Não adiantava negar, fugir, esconder, chorar ou espernear. Teria que encará-la de frente, de pé, aqui e agora como orienta a filosofia budista.

Creio que um dos momentos mais dramáticos dessa caminhada foi a expressão da esquizofrenia em todo o seu conteúdo e força. Trancada no quarto, tremendo de medo e cheia de pavor, ouvia do outro lado da porta meu filho quebrar objetos e gritar. Transtornado e irreconhecível, minutos antes ele tinha me ameaçado com uma faca de cozinha. Com a ajuda de duas amigas, por telefone, o corpo de bombeiro me resgatou e o levou para a internação. Esse era o terceiro surto psicótico e o segundo em apenas poucos meses.

Minha vida havia saído completamente de controle, ficando a deriva e ao sabor de enormes ondas de medo, revolta, dor e autocomiseração.

Foi nessa fase de desespero que passei a procurar ainda mais ajuda. Agora não mais somente para o Felipe, mas para mim mesma, pois sabia que tinha chegado ao meu limite e que a partir dai não teria condições de prosseguir com alguma sanidade. Procurava informações na internet e comprava livros. Falava com um e com outro sobre doença mental buscando sempre mais informação e orientação.
Dizem que quem ora sempre alcança e quem procura acha. Assim, cheguei ao livro “Entendendo a esquizofrenia – como a família pode ajudar no tratamento?” e ao grupo de ajuda mútua voltado para os familiares de portadores de transtorno mental.

Encontrar acolhimento e um espaço onde o que você sente e vive é verdadeiramente compreendido pelos outros foi para mim o grande divisor de águas.

Deixar para a trás, com tranquilidade, a antiga vida, assim como reformular meus sonhos e objetivos, foram etapas decisivas para sair da armadilha de vítima na qual, em algum momento, cada um de nós se coloca.

Aos poucos, com muita benevolência para comigo e meu filho, redefinindo o nível de expectativa e exigência, e com muita fé na enorme capacidade que cada ser humano tem em se transformar e modificar seu meio ambiente, hoje sou capaz de contribuir de maneira satisfatória e adequada para a recuperação do grande amor de minha vida, meu filho.

64 comments

Ana Cristina G. Nivoloni - 25 de abril de 2016

Tenho uma filha única de 28 anos , que desde o seu primeiro surto em 2008, nunca mais se recuperou e de lá para cá , somente perdas foram acontecendo : fim do namoro de 7 anos , afastamento das amigas , das primas , apesar de ter se tornado em piano pela UNICAMP , nunca mais tocou e

Editor do Portal - 27 de abril de 2016

Marina, converse com o médico dele para indicar outros tratamentos psicossociais, como psicoterapia, terapia ocupacional, dentre outras atividades que podem estimula-lo a sair mais de casa.

elena - 1 de julho de 2016

estou perdida,ja fui em todo lugar ,caps,igreja,pscologo, médicos troquei vários em 10 anos ,toma remédios ,fica dentro não quer sair pra nada,ele leva o clchao do quarto para a sala e deita poe fone de ouvido e so levanta pra comer.falo com os médicos dizem que e assim, não sei mais o que fazer rezo peço, ele não e agressivo, nada o deixa feliz, tenho 69 anos ele 40, esta dificil

Editor do Portal - 4 de julho de 2016

Elena, ele faz algum tipo de tratamento psicossocial, como psicoterapia, terapia ocupacional? A família tem algum tipo de acompanhamento, como participação em programas de psicoeducação ou grupos de suporte? Digo isso, pois esses tratamentos tem se mostrado mais eficazes no combate aos sintomas negativos.

cidinha - 1 de outubro de 2016

meu irmao teve o primeiro surto em dezembro, foi ao medico passou mais ou menos tres dias e passou.. ate entao achava-mos que nunca mais iria acontecer novamente, porem quase uma ano depois ele sem tomar nenhum medicamento começou a se comportar estranho diate de amigos e familiares ate que entao ele surtou novamnet dessa vez muito pior pois fugiu de casa sem rumo, agredio pessoas, e ficou sedado no hospital por dois dias.. hj faz dois dias que ele esta em casa porem percebi que tem horas que ele com alguns comportamentos estranhos tais como medo,anciedade,falar sem para quando uma pessoa ta falando com outra.. minha duvida é: ele ira voltar ao normal 100% ou ficara com essa sequela pra sempre? estou muito preocupada pois ele tem apenas 17 anos e era um menino que vivia de bem com a vida, agr enxergo ele com outros olhos como se aquele menino de dois anos atraz nao existisse mais. ou seja como se fosse outra pessoa… :(

Editor do Portal - 14 de outubro de 2016

Cidinha, existe sempre a expectativa de melhora com o tratamento, mas é preciso atentar para alguns pontos: a medicação pode necessitar de ajustes ao longo do acompanhamento e melhoras podem requerer maior tempo de tratamento; somente a medicação pode não ser suficiente para a melhora de todos os sintomas. A maioria dos pacientes necessita de psicoterapia, terapia ocupacional, e isso pode ajudá-lo a melhorar ainda mais dos sintomas e do funcionamento social; o ambiente do paciente é de suma importância. Cuidar dos conflitos familiares e sociais para que essa pessoa tenha menos estresse, seja através de terapia de família, psicoeducação, pode ajudar muito inclusive na melhora clínica do paciente. Em nosso site você vai encontrar muitas informações sobre todos esses pontos que julgo cruciais para a recuperação do paciente.

Tânia Donato - 26 de janeiro de 2017

Meu filho, no próximo 09 de abril deste ano estará completando 20 anos. Há dois anos que nossa vida deu uma virada de 360 graus. Ainda com 17 anos, num surto de muita agressividade verbal, descobrimos que o mesmo havia se envolvido com drogas, foi o fim do mundo para a família. Com muita dificuldade aceitamos o envolvimento, e começou a busca desesperada para entendermos o que estava acontecendo, pois jamais abandonariamos nosso filho maravilhoso. Como ainda era menor de idade, tínhamos ainda alguma autoridade..já que o mesmo após o surto começou a tratar eu e o pai dele como se fôssemos inimigos. Meu filho não aceita que precisa de ajuda, não consome mais drogas, pois quadro não sai do quarto dele. Temos uma comunicação difícil. Como posso fazer para que ele, perceba que precisa de ajuda? Passa o dia inteiro ouvindo rock pesado., até parece uma lavagem cerebral, são tantas situações… a cada dia temos nos transformados (eu e meu esposo), na tentativa diáriapara resgatar nosso filho. Nos convertemos em outra religião, é o que tem nos sustentado, a fé de em Deus de ver nosso menino recuperar sua vida. Não sei se hoje ele é esquizofrênico.

Editor do Portal - 6 de fevereiro de 2017

Tânia, sugiro leituras de alguns livros, o Entendendo a Esquizofrenia – Como a Familia pode ajudar no tratamento? – http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?page_id=3846 – e o livro do Xavier Amador “I’m not sick, I don’t need help” – http://www.vidapress.com/i-am-not-sick-i-dont-need-help – que também tem uma versando em espanhol. Acho que esses livros podem ajudá-los a encontrar uma maneira de melhorar a comunicação entre vocês, quem sabe isso ajude na abertura de seu filho para tratamento. Outra indicação são os grupos de apoio às famílias, como estes: http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?page_id=3242

Andreia Mendes - 16 de fevereiro de 2017

Bom dia! Meu filho começou com desvio de comportamento às 13 anos,como eu trabalhava diretor deixava ele meio q de lado . Agora está com 15 anos foi atestado pelo médico do caso com esquizofrenia, ficou internado no hospital San Julian em Curitiba, foi para o melhor viver está tomando os remédios frequenta grupos,mas parece q nada adianta. Perdi meu emprego por ter muitas faltas,estou vivendo 24horas em torno dele tem momentos q penso que ñ vou aguentar. Desculpem o desabafo

Editor do Portal - 21 de fevereiro de 2017

Andreia, sugiro ler nosso artigo http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?p=3728

Elisa Antunes - 2 de setembro de 2017

Gostaria de informações sobre moradia assistida. Obrigada

Editor do Portal - 12 de setembro de 2017

Elisa, sugiro ler o texto neste link http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v40n2/05.pdf

WAGNER PESSOA LIMA - 25 de outubro de 2017

Qual é o papel da Religião na Recuperação dos Dependentes Químicos?
http://blog.viversemdroga.com.br/qual-e-o-papel-da-religiao-na-recuperacao-dos-dependentes-quimicos/

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