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Pesquisa nacional revela que níveis de zinco e potássio nas células cerebrais estariam ligados à esquizofrenia.

Editor do Portal 25 de fevereiro de 2014 Blog, Noticias 21 comments
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Pesquisadores brasileiros conseguiram revelar pela primeira vez que as células cerebrais vivas de uma pessoa diagnosticada com esquizofrenia apresentam níveis elevados de dois elementos químicos — potássio e zinco — que podem ser revertidos com o uso de medicamentos. A descoberta abre caminho para uma melhor compreensão das causas desta síndrome mental, assim como para o desenvolvimento de novos tratamentos.

Embora há algum tempo os cientistas desconfiassem que concentrações anormais destes e outros elementos, como cobre, selênio e manganês (que em quantidades muito pequenas são essenciais para o bom funcionamento das células), estivessem relacionadas ao aparecimento da esquizofrenia, os estudos anteriores tinham sido feitos apenas em tecidos não neurais, como sangue, ou em análises das células cerebrais de pacientes mortos, sem resultados conclusivos.

Estudo inédito com células vivas

Para contornar estas limitações, os cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino colheram células da pele de um paciente esquizofrênico e as fizeram regredir ao estágio de células-tronco por meio de técnicas de reprogramação genética.

Conhecidas como células-tronco de pluripotência induzida (IPS, na sigla em inglês), elas foram então induzidas a se diferenciarem em células cerebrais chamadas progenitoras neurais, semelhantes às presentes durante a fase de desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso em embriões. Vivas, estas células passaram por análises espectroscópicas por raios X no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, o que permitiu aos pesquisadores medir com precisão as quantidades dos elementos químicos nelas.

— Havia toda uma controvérsia na literatura científica sobre a ligação entre as concentrações destes elementos nas células cerebrais com a esquizofrenia, com alguns estudos indicando níveis mais altos que os normais, enquanto outros mostravam mais baixos — conta Stevens Rehen, da UFRJ e do Instituto D’Or, um dos autores do estudo, recentemente aceito para publicação no periódico científico “Schizophrenia Research”. — Até agora, porém, não tinha sido feita nenhuma medição da presença destes elementos em células equivalentes a neurônios vivos, então usamos a tecnologia síncrotron e varreduras de alto conteúdo para identificar todos traços de elementos nelas.

Segundo Rehen, as análises mostraram que o estresse oxidativo faz com que as células cerebrais derivadas do paciente esquizofrênico tenham uma quantidade de zinco cerca de três vezes superior à de uma pessoa comum, trazendo a reboque uma elevação nos níveis de potássio, já que os canais de troca deste elemento nas células são controlados pelo zinco.

— Como consequência disso, a comunicação entre as células fica alterada, o que pode ajudar a explicar os disparos nos neurônios de uma pessoa com esquizofrenia que seriam a causa dos sintomas típicos da doença, como alucinações, depressão e déficit cognitivo — diz Rehen.

Em um passo seguinte, os pesquisadores procuraram por maneiras de levar os níveis de zinco e potássio das células cerebrais do paciente esquizofrênico de volta aos de uma pessoa comum, obtendo sucesso com o valproato ou ácido valproico, um medicamento já disponível e atualmente usado para tratamento de epilepsia, desordens bipolares e prevenção de enxaquecas.

— Isso não quer dizer que encontramos uma cura para a esquizofrenia, mas sim que descobrimos um mecanismo de alteração nas células cerebrais de um paciente esquizofrênico que pode ser revertido com um medicamento — ressalta Rehen, lembrando que o paciente em questão não responde aos tratamentos com as drogas antipsicóticas padrão para casos da doença. — Assim, pelo menos no caso deste paciente, ele poderia se beneficiar de uma terapia que devolvesse os níveis de zinco e potássio de suas células cerebrais aos comuns, em um exemplo de medicina personalizada.

Ainda em prosseguimento ao estudo, Rehen e sua equipe estão desenvolvendo outras linhagens de células cerebrais de outros pacientes esquizofrênicos para verificar se elas também apresentam alterações nas concentrações de zinco e potássio e respondem da mesma forma ao tratamento com valproato.

— Talvez estas alterações sejam específicas de apenas alguns pacientes esquizofrênicos que não respondem a outras terapias, mas independentemente do que vamos encontrar, vamos avançar na compreensão desta doença que afeta aproximadamente 1% de todas pessoas — diz.

Biobanco para 17 doenças

E a esquizofrenia é apenas a primeira de uma série de doenças cujos mecanismos os pesquisadores brasileiros poderão estudar a partir da geração de células-tronco de pacientes e a indução de sua diferenciação nos tecidos afetados ou relacionados. Segundo Rehen, o Ministério da Saúde está organizando junto às instituições de pesquisa a formação de um biobanco com IPS produzidas a partir de células de pacientes com um total de 17 desordens e males, abrangendo desde esquizofrenia, autismo, Parkinson, Alzheimer e síndrome de Down a problemas no coração e diabetes. O objetivo é que o biobanco esteja totalmente pronto e funcionando num prazo de dois anos.

— Desde a descoberta de que é possível fazer células adultas regredirem ao estágio de células-tronco, elas vêm sendo muito usadas nos países desenvolvidos como plataforma para estudar diversas doenças e agora já podemos começar a fazer isso aqui também, retomando investimentos e estudos em áreas que foram abandonadas pelas grandes indústrias farmacêuticas pela falta ou lentidão nos resultados — afirma. — Com o biobanco, os pesquisadores brasileiros poderão trabalhar diretamente com as células do tipo que são afetadas pelas doenças vindas dos próprios pacientes, o que pode revelar mecanismos ainda desconhecidos das doenças além de servirem de base para testes de novos medicamentos e tratamentos.

Fonte: O Globo

21 comments

Jose Ivan de Alencar - 26 de fevereiro de 2014

Sofrendo de transtorno mental desde os meus 24 anos praticamente, hoje com 53 anos, faço uso do medicamento : Zyvalprex ou Divalprotato de Sódio. Seria este o medicamento em questão? Pois tenho alcançado melhoras consideráveis quanto aos sintomas habituais que me acometiam, anteriores ao uso deste medicamento.

Jose Ivan de Alencar

Edmere Pinto Quitete - 26 de fevereiro de 2014

De acordo com a pesquisa, gostaria de saber se é oportuno exames de sangue periódicos, e evitar consumir muito determinados alimentos que contenham zinco e potássio.

vanira regina vergani - 26 de fevereiro de 2014

se entendi isso melhora as condições do portador

quero entender para poder ajudar meu filho e a mim

vanira vergani-jornalista

maria - 26 de fevereiro de 2014

primeiro lugar obrigada a deus e segundo os cientistas que nao demore muito a cura. so assim mesmo podemos acabar com a fabrica de ganhar dinheiro dos medicos e laboratorios . que ganham muito dinheiro as custas dessa doença ! se deus quiser a cura esta proxima

paulo cezar - 26 de fevereiro de 2014

A uma intima ligacao entre esguizofrenia e alimentasao.a comida e uma droga.

maria do carmo - 27 de fevereiro de 2014

que Deus abençoe esses pesquisadores para que se encontre logo a cura para essa maldita doença que não so adoece o paciente mas a família toda! precisam descobrir uma forma de convencer o doente a se tratar pq nenhum aceita estar doente,,,convivo com isso há pelo menos 10 anos com meu filho. Daria tudo o que eu consegui nesses meus secenta anos de vida,para vê-lo curado!!!!

Vera - 5 de março de 2014

Concordo com a Maria. Tenho muita fé que em breve teremos uma solução definitiva para o tratamento de esquizofrenia.
Obrigada Dr. Palmeira pelo seu envolvimento e informação contínua ,para que todos nós não percamos a esperança de vermos nossos entes queridos vivendo com a mente em paz.

eliezer - 10 de março de 2014

sera que daqui a 5 anos pelo menos teremos um remedio que cure todos os sintomas e paderemos ter uma vida normal ?me responde essa pergunta.

Clebson - 1 de abril de 2014

Operando Deus, quem impedirá? Vamos continuar lutando e crendo que Deus é poderoso para todas as coisas, inclusive dar sabedoria e ciência para os cientistas e médicos comprometidos em fazer o bem.
Abraço.
Clebson Advogado.

Efigenia - 21 de abril de 2014

Boa tarde dr Stevens Rehen ,meu sobrinho esta com esquizofrenia há 4 anos ,o que ele deve fazer para ser voluntário????
Aguardamos por resposta .
Obgd

Vanusa Ferreira da Silva - 5 de maio de 2014

Boa noite doutor Stevens Rehen! Também gostaria de saber como minha irmã poderia ser voluntária dessa pesquisa. Ela está com 29 anos e há 10 anos foi diagnóstica com a doença. Desde já agradeço.

Janete M. Valeti - 24 de maio de 2014

Bom dia Dr. Rehen.
Meu filho unico tem 25 anos e a 5 esta com esquisofrenia. Como eu tive uma gravides complicada, antecedentes familiares com problemas mentais, ele nunca teve a presenca do pai por perto, com tudo isso eu acredito que muito da doenca dele venha dai.
Ele sempre teve uma inteligencia acima da media quando crianca e agora tenho muito medo de perde-lo. Pois ele comeca a tomar os remedios, ai acha que esta bom e para de tomar. Em pouco tempo entra em surto, volto a internar e comeca tudo de novo.
COMO FACO PARA ELE SER VOLUNT’ARIO NAS PESQUISAS QUE ESTAO SENDO FEITAS???
Por favor ‘e um caso de vida ou morte. Tanto minha quanto dele.
Aguardo. Obrigada.

Carlos Guilhem - 7 de setembro de 2015

Tenho um filho com está doença, que, na luta conservativa diagnóstica, chegamos ao quadro de “Esquizofrenia psicótica resistente ou refratária”.
Toma hoje, após grande confusão de medicamentos aplicados, CLOZAPINA, associada ao medicamento FLUOXETINA.
Sua melhora foi significativa!
Seu quadro ainda apresenta influência comportamental, como, solilóquios; fixação em idéias; questões persecutórias.
Gostaria de uma resposta ao caso.
Muito Obrigado

Carlos Guilhem - 7 de setembro de 2015

Meu filho tem esquizofrenia, resistente ou refratária.
Toma CLOZAPINA, associada à FLUOXETINA.
Gostaria de participar desta novas oportunidades de conhecimentos ao seu conforto e solução.
Muito Obrigado!

Editor do Portal - 21 de setembro de 2015

Carlos, somente o médico que o acompanha pode lhe responder se os sintomas residuais podem melhorar mais com o tratamento. Existem casos mais graves em que alguns sintomas menores podem permanecer mesmo com o medicamento, necessitando de tratamentos complementares, como psicoterapia, terapia ocupacional, etc.

Carlos Guilhem - 21 de setembro de 2015

Gostaria de agradecer à atenção.
Nós, que acompanhamos em convivência esta “doença subjetiva”, pois, entendo que as razões somente visualizadas na experiência, intrigam e desfiam as ciências médicas.
Fala-se em estudos com células tronco; ocorre que já existe está medicação CLOZ
APINA, que não permite efeitos colaterais em volume, como de outras medicações, onde, tanto o paciente, quanto a família, encontram o desespero psicológico.
Andar de um lado para outro; apresentar quadro de retardo comportamental; agredir-se; tentar fuga, etc.
Quero que Deus Abençoe aos Senhores de Ciência.
Certa feita, um estagiário R 1, 2 ou 3, não me recordo, pediu-me autorização para implantar no meu filho um tratamento com choque magnético.
Perguntei os efeitos. Disse que poderia trazer esquecimentos.
E de bom?
Era uma tentativa para ajudar diante do quadro.
Ora, lendo descobri existir essa esquizofrenia Resistente/Refratária.
Alertei o seu médico, após uma tentativa de suicídio por enforcamento, e, para proteje-lo, ficou internado por 6(seis) meses no HCPSQ.
Era o atendente ao Meu desespero, Dr. Hélio Elks.
Meu menino melhora à cada dia.
Para o choque magnético, implantes à distância, por razões de onde mora, Passes Magnéticos Espíritas.
A ciência há de encontrar um parâmetro para apreciar as energias magnéticas espirituais.
É um contato maravilhoso.
Somos energia!
No espaço e no tempo, haverá união entre ambos, cumprindo as condicionais filosóficas.
Fiquem com Deus!
Muito Obrigado!

Carlos Guilhem - 21 de setembro de 2015

Complemento.

Carlos Guilhem - 26 de setembro de 2015

Vou informar ao seu médico, referente à descoberta dos elementos químicos, dinamizadores desta cruel doença.
Meu respeito, profundo, ao sofrimento à um ente querido, tendo vivido normal, como o meu, até os 18 anos, estando hoje, com 23/24 anos.
Gostaria de receber mais informações aos já desenvolvidos aproveitamentos na evolução de casos em estudo.
Muito Obrigado!

Ana Goes - 15 de outubro de 2015

minha filha diagnosticada esquizofrenica refrataria 10 anos em tratamento, agora estao falando em ECT. O que pode traze-la de volta? sera? nao aguento mais esse sofrimento ela era jovem e bonita hoje vive delirando os remedios nunca ajudaram em nada! por javor alguem me ajuda !! ajuda minha filha 33 anos e nunca teve uma vida digna! precisamos de ajuda.

Carlos Guilhem - 15 de outubro de 2015

Sra Ana Góes.
Sei do sofrimento que a Sra passa, e, sei que não é fácil.
A dor interior é muito grande.
Tenha Fé em Deus, pois, as ciências evoluem diariamente, e, precisamos acompanhá-la.
Nada é por acaso!
Nada se perde!
As evoluções só se dão à Luz do Amor!
Ore e ame o sua filha, assim como, os filhos de muitos pais nesta jornada.
Venceremos, juntos!
Durmo e acordo, só com meu filho em mente.
A Ciência e a Fé nos darão, ainda, a remissão do que ainda é irreversível

Carlos Guilhem - 15 de outubro de 2015

Sra Ana Góes.
Sei do sofrimento que a Sra passa, e, sei que não é fácil.
A dor interior é muito grande.
Tenha Fé em Deus, pois, as ciências evoluem diariamente, e, precisamos acompanhá-la.
Nada é por acaso!
Nada se perde!
As evoluções só se dão à Luz do Amor!
Ore e ame o sua filha, assim como, os filhos de muitos pais nesta jornada.
Venceremos, juntos!
Durmo e acordo, só com meu filho em mente.
A Ciência e a Fé nos darão, ainda, a remissão do que ainda é irreversível.
Fique com Deus!

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