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O ácido que pode “desligar” sintomas da esquizofrenia.

Editor do Portal 13 de fevereiro de 2017 Blog, Noticias 9 comments
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Estudo mostrou que o ajuste nos níveis de ácido quinurênico minimizou os efeitos da esquizofrenia em ratos – e pode ser um possível tratamento da doença

Uma nova pesquisa, da faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, pode ser uma grande aliada no tratamento da esquizofrenia. Cientistas acabam de descobrir que há um composto capaz de controlar os sintomas da doença, o ácido quinurênico. Ele atua no cérebro e pode ser usado como anticonvulsivo para diferentes distúrbios neurológicos.

O estudo com roedores mostrou que o ajuste nos níveis de ácido no organismo teve efeitos significativos no controle comportamental dos animais.

O quinurênico é estudado há anos por especialistas, que já imaginavam que ele poderia ser a chave para tratar alguns sintomas da esquizofrenia. Foi comprovado que pessoas com a doença têm níveis mais elevados da substância no cérebro e que isso causa diminuição do glutamato – um neurotransmissor que está ligado ao aprendizado e à memória.

De acordo com os pesquisadores, essa disfunção no glutamato estaria associada a vários sintomas da esquizofrenia – em especial aos transtornos do tipo cognitivo: amnésia, confusão mental, delírio, desorientação, invenção de coisas, lentidão durante atividades, entre outros.

“Este estudo fornece um suporte crucial para uma hipótese de longa data. Ele explica como o sistema KYNA (referente ao Kynurenic acid, “ácido quinurênico”, em inglês) pode se tornar disfuncional”, explicou Robert Schwarcz, um dos responsáveis pela pesquisa, à Biological Psychiatry. Ele, inclusive, foi o primeiro a descobrir o ácido no cérebro, em 1988. Desde então, vem estudando a sua relação com doenças neuropsiquiátricas.

No novo experimento, Schwarcz estudou roedores com deficiência da enzima KMO (kynurenine 3-monooxygenase), que regula os níveis do ácido quinurênico. Por terem mais quinurênico, os ratos mostraram deficiências na memória contextual e ansiedade elevada quando colocados em um labirinto e em outros ambientes desafiadores.

Essas atitudes seriam semelhantes aos traços comportamentais de humanos esquizofrênicos e sugerem que a enzima e o ácido podem desempenhar um papel fundamental no tratamento da doença.

Então, a solução seria aumentar o nível do glutamato, certo? Errado. Isso traria sérios efeitos colaterais, como convulsão e morte de células nervosas. O segredo, na verdade, é reduzir o ácido quinurênico para que ele controle o glutamato mais precisamente.

A experiência já deu certo em ratos, agora falta saber como reproduzir os mesmos resultados em seres humanos.

Fonte: Superinteressante – Editora Abril

9 comments

Julio Cesar dos Santos - 13 de fevereiro de 2017

Enquanto os cientistas ficarem imaginando que a esquizofrenia é um simples desequilíbrio químico vamos ficar só nas infinitas descobertas….

Dilma Coelho - 13 de fevereiro de 2017

Dr. Leonardo, muito obrigada, por nos trazer notícias que alimentam nossas esperanças.
Um grande e carinhoso abraço,
Dilma Coelho

Luciene Faustino dos Santos - 14 de fevereiro de 2017

Que boa notícia.Uma Luz no fim do tunio.
Obrigada pelas notícias.

Norma A ckermann - 15 de fevereiro de 2017

Fico sempre com a esperança de uma descoberta, tomara que logo já possa humanos curar dessa triste doença, obrigado pela informação

Norma A ckermann - 15 de fevereiro de 2017

Feliz pela notícia positiva

Daildo - 15 de fevereiro de 2017

forte e tenhoTudo que vier para somar será de suma importância para nós que estamos lutando contra esse mal. O grau que me aflige é baixo, sou hereditário , mas o meu irmão mais novo nos deixou e na minha família meu pai teve surto , primos de primeiro grau tem a loucura de dar tristeza, mas sou esperança. Tenho Cid 20,9 vou morrer com este cid , mas não desse cid… Deus nos abençoe

Juliano - 15 de fevereiro de 2017

Esse procedimento pode reverte a esquizofrenia ou apenas controlala mais melhor ??? Quanto tempo demora pra ver se deu certo??? Sera fornecido nos caps ???

Editor do Portal - 21 de fevereiro de 2017

Juliano, ainda é pesquisa, precisamos aguardar para ver qual será a aplicação deste conhecimento no tratamento dos pacientes.

Dilma Coelho - 14 de março de 2017

Pesquisadores criam novo teste para identificar esquizofrenia e depressão
Eles determinam as doenças por meio de um receptor chamado NMDAR, que ajuda a fazer a diferenciação.
Cientistas descobriram uma nova forma de identificar pessoas com depressão ou esquizofrenia. O método, publicado na revista “Experimental Physiology”, usa como sinalização um receptor chamado NMDAR.
De acordo com o estudo, a taxa de NMDAR é menor em pacientes com esquizofrenia e é aumentada no caso da depressão. Essa também é uma nova maneira de distinguir as duas doenças que, de acordo com os pesquisadores, ainda não há um teste diagnóstico para ajudar na diferenciação.
Hoje, a depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo. A esquizofrenia atinge 51 milhões. Ambas têm fortes impactos na vida de seus portadores.
Para realizar o teste, os cientistas deram uma solução de alta concentração salina para induzir a liberação do hormônio arginina-vasopressina (AVP). Estudos anteriores mostraram que a liberação de AVP devido à solução salina depende do receptor NMDAR. Assim, eles conseguiram diferenciar as duas doenças de acordo com a intensidade da resposta.
Os deprimidos tiveram uma liberação extra do hormônio, enquanto os esquizofrênicos mostraram uma baixa. Clinicamente, é difícil diferenciar essas duas doenças em suas fases iniciais, porque os sintomas não são tão específicos e podem ser relativamente leves.
“Este é meu primeiro objetivo, criar um marcador fisiológico dos dois principais transtornos psiquiátricos que pode permitir um diagnóstico mais precoce e preciso, garantindo uma seleção de medicamentos mais adequada aos pacientes”, disse Handan Gunduz-Bruce, coautor do artigo.
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