Blog

Blog

Meus passos rumo à minha recuperação, com a graça de Deus, minha família e meu médico!

Editor do Portal 29 de maio de 2013 Blog, Depoimentos 31 comments
featured image

Olá, sou advogada e tenho 26 anos de idade. Vou relatar um pouco da minha história para vocês. Em 2011 tive um surto psicótico, que já foi confirmado pelo médico como sendo esquizofrenia.

Quando estava no 3º ou 4º ano de faculdade, por volta de 2007 ou 2008, comecei a me relacionar com uma pessoa mais velha pela internet. Foi aí que as coisas começaram a complicar. Comecei a ler percebendo significados ocultos dentro das mensagens de e-mails, era como se a frase possuísse um significado além daquele escrito. Em alguns momentos cheguei a cortar as sílabas de palavras, juntando umas com as outras, buscando “ler” o interior (a mente) da pessoa. Se alguém já leu “A psicopatologia da vida cotidiana”, de Freud, vai chegar perto do que eu quero dizer. Lembra um pouco, num nível muito mais abaixo, as cenas do filme “Uma mente brilhante”, quando ele começava a cortar jornais buscando decifrar códigos. Nunca fiz isso, mas era um pouco parecido.

Em 2009, depois de me formar, senti um grande abalo, pois ganhava cerca de R$ 1.000,00 só com os estágios, fora a mesada que meus pais me davam de quatrocentos reais. De repente, de uma hora para outra, me vi ganhando um terço do que ganhava antes e fiz uma dívida no banco. Comecei então uma busca pelo dinheiro e por qualquer emprego, qualquer coisa para que eu pudesse pagar aquilo que devia.

Em meados de 2010 entrei no meu primeiro emprego e, dentro de um mês, achei que um colega meu estivesse gravando a minha conversa. Ele abriu o celular e deixou aberto enquanto eu me queixava de uma chefe. Era um celular de flip. Até hoje não sei se foi verdade ou não, pois vi e ouvi muitas vezes um chefe e esse mesmo colega dizer: ”cuidado, estou gravando sua conversa.” No momento pensei que ele estivesse gravando a conversa a fim de me prejudicar perante minha chefe. Mas não sei se isso já era início da doença. Depois desse fato, pedi demissão e fiquei em casa. Minha mãe acabou pagando a dívida no banco. Mas esse período foi de muito estresse. Também queria passar logo num concurso de alto nível.

Não lembro exatamente quanto tempo depois, acho que uns seis meses, comecei a pensar que essa pessoa com quem me relacionava na internet estivesse me perseguindo. Imaginava que ela queria muito o meu mal, porque eu já não queria mais nada com ela. Antes da crise propriamente dita, começou com uma sensação estranha, sentia que algo não ia bem. Senti também um pouco de depressão, vinha um choro fácil. No curso de inglês, comecei a antipatizar com a professora, achando que ela, talvez chateada, queria o meu mal e que estivesse de conluio com esse “ex-paquera”.

Uma colega do trabalho voluntário que eu fazia começou a perceber que eu andava muito encucada, pois ao aguardar a carona eu ficava do outro lado da rua, pensando que pudesse ter “assaltantes” ou pessoas estranhas me olhando. Então ela me recomendou que eu fosse num psiquiatra, disse que não era nada demais ir se consultar com o médico.

Em maio de 2011 eu fiz uma viagem maravilhosa, descansei tudo que precisava. Mas na volta, dentro do ônibus, achei que uns passageiros estivessem transportando droga e que o passageiro sentado ao meu lado era um detetive enviado pelo meu “ex-paquera” e que estava ali acabando por me proteger. Foi algo muito tenso, fiquei com medo de que houvesse algum confronto entre esses passageiros, cheguei a ouvir um deles dizendo: “você trouxe a caneta?” Imaginei que ele estivesse querendo dizer uma arma, só que em código. Não dormi a noite inteira. Depois, quando cheguei em casa, contei toda a história da viagem para minha mãe e irmãs, elas diziam que não era nada, que eu estava imaginando coisas, que a viagem foi toda tranquila. Porém eu me lembrei do que minha colega disse e pedi para ir num psiquiatra.

Fui a um psiquiatra já em crise. Chegando lá, contei com meias-palavras o que estava se passando, não confiei nele, achava que os fios de telefone soltos eram uma escuta desse “ex-paquera” para saber o que eu pensava. Relatei apenas que sentia medo, perguntei até se tinha esquizofrenia (mesmo sem saber o que isso significava), pois na minha família há histórico. Ele disse que não era e me tratou como síndrome do pânico.

Então as coisas evoluíram eu comecei a pensar que esse meu “ex-paquera” enviava mensagens pela televisão, como indiretas. Não podia tomar banho pois pensava que tinha câmeras e escutas por toda a casa. Vestia apenas roupas de uma cor, pensando desviar de um código. Enfim, fiquei em crise mesmo. Não queria sair de casa, ficava o tempo todo numa cama e não queria que meus familiares saíssem de casa também, com medo. Pensei em ir num delegado, em fazer seguro de vida, etc.

Tomei Zyprexa e mudei de médico. Para ficar completamente recuperada e consciente da doença levei uns 9 meses, descobri que tinha esquizofrenia lendo o relato de pacientes num livro de psiquiatria (Kaplan), principalmente por causa da história da televisão.

Hoje estou bem, em remissão como dizem. Não é fácil saber da doença, pois tudo que se lê, principalmente em livros antigos, é desanimador. Para contornar essa situação, eu planejo alternativas e busco ler notícias novas. Vou sempre ao médico, pago o INSS, procuro estar em constante exercício, fazendo jogos de raciocínio verbal, redações e leitura e pratico natação. Não sou muito disciplinada, mas faço tudo na medida em que posso. Hoje me cobro menos, sou mais humilde, tenho objetivos mais simples. Procuro me manter mais próxima das pessoas, fazendo contato com meus amigos e colegas. Isto para mim não é fácil, em um encontro social só me sinto bem se estiverem presentes ao menos duas pessoas. A conversa não flui com naturalidade, é algo que percebo. Porém, consigo expressar mais o meu descontentamento com as coisas. Sou uma pessoa naturalmente tensa e preocupada, mas tento relaxar, sorrir, dormir bem. Tomo a medicação regularmente, todos os dias, no mesmo horário. Consegui aprovação em 4º lugar num concurso e estou fazendo um trabalho voluntário num órgão público federal. Dei uma entrevista para o Yahoo na condição de advogada, são coisas que me alegraram muito. Tudo que conquistei após o surgimento da doença só foi possível com a ajuda de Deus, medicação e dos meus familiares.

Agradeço muito a Deus, aos meus pais, às irmãs e ao médico. Espero que vocês tenham se identificado com algo que eu disse aqui e que eu possa ter ajudado de alguma forma. Se virem alguém com algum desses sintomas, ajudem – indiquem um psiquiatra.

31 comments

Lucas - 29 de maio de 2013

Meus parabéns pela melhora, e por ter vencido a doença, e tambem por estar estudando, e trabalhando, vc merece, sucesso p vc, um abraço.

Ellen Menezes - 29 de maio de 2013

Olá,
Parabéns pelo seu depoimento, você transmitiu muita esperança! Que Deus te abençõe sempre, tenha muita fé!!
Abs

osvaldo luiz sadala moerbeck - 30 de maio de 2013

Também estou passando uma crise, só que no trabalho, agora. Li o seu relato e parabenizo você por ter se recuperado. Eu também tomo remédio, mas não gosto muito. Só que tenho de tomar.

Abraço.

Osvaldo.

Rachel R. Rocha - 30 de maio de 2013

Minha querida, voce é muito especial .
Edificante depoimento.
Estarei mentalizando positivismo para você.
Beijo no coração.

leandro - 2 de junho de 2013

gostei muito de seu exemplo de garra no enfrentamento da doença.sou portador de esquisofrenia desde os 26 anos , hoje tenho 29.Tambem faço faculdade de direito, até agora a doença não me atrapalhou a estudar. será que a doença afeta a parte de raciocinio enfim intelectuamente terei condições de trabalhar como advogado, hoje sim, mas e no futuro? o que esperar do futuro?tenho medo de pensar no futuro.tomo medicamento rigorosamente como indicado pelo medico e levo uma vida norma. as pessoas so descobrem que sou portador da doença quando eu falo pra elas.
minha mãe é esquisofrenica e tem pelo menos uma recaida por ano. ela usa melheril. sera que se ela passar a usar risperidona que é o medicamento que uso ela terá menos recaidas?
obrigado e parabens a voce por estar enfrentado a doença e parabens ao doutor leonardo pelo site pela iniciativa. Gostaria de adquirir o livro como faço?

Leonardo Palmeira - 3 de junho de 2013

Leandro, obrigado! Nosso livro pode ser adquirido diretamente pela editora em http://www.editorainterciencia.com.br. Um abraço!

Marisa Silva - 6 de junho de 2013

Leonardo

Me sinto muito feliz quando vejo depoimentos como esse, tenho um irmão que tem tal problema mas ele não aceita, foi necessário um psiquiatra domiciliar sem que ele soubesse tanto para diagnosticá-lo como medicá-lo, quando conseguimos que ele se medicasse foi só por alguns meses, mas tenho certeza que o que torna mais dificil para ele éo sono que sente ao tomar o risperidona, já existem medicamentos que não provocam tanto sono? E c/ otempo esse medicamento causa menos sono?

Abraços

Flávia Luz - 10 de junho de 2013

Parabéns pelo seu depoimento, e por sua determinação em seguir adiante com sua vida e seus projetos,
fui diagnosticada em 2009 com este mesmo problema, no inicio foi muito dificil,mas como vc disse com a
ajuda de Deus, e dos familiares e do médico que cuidou de mim, ficou mas tranquilo suportar, enfrentei momentos muito parecidos com o seu, mas com a graça de Deus venci.Hoje se eu não relatar que eu tive este problema ninguem diz, tomei os medicamentos fielmente de 2009 a 2012 do mês de março, hoje não preciso mas dos remédios, mas com orientaçoes do meu médico e claro, procuro viver uma vida mas simples, e nem tudo que lemos significa que vai ser assim em nossa vidas, vc e uma vitóriosa.

Luiza Lins - 11 de junho de 2013

Você é uma vencedora .Meu filho também essa doença. Sei que não é fácil. Com todos os obstáculos que a esquizofrenia tem, você é um exemplo de superação. Parabéns pelo seu esforço e determinação. Um grande beijo e sucesso!

claudia - 14 de junho de 2013

Olá, Parabéns pela coragem de lutar e de dividir conosco. Força e Felicidades prá você!

Regina Célia - 12 de julho de 2013

Fico muito feliz com sua vitória, com certeza tem uma família maravilhosa e uma fé em Deus grandiosa. Convivo com um pai esquizofrênico que tb apresenta demência, o que piora a situação. Ainda não houve uma melhora satisfatória, apesar de ter tomado risperidona por 10 anos seguidos. Agora toma quetiapina, porém tem surtos de delírios diariamente. Talvez por sua idade avançada ( 81 anos ) seja um caso mais difícil, me sinto perdida, pois a caminhada rumo a uma boa qualidade de vida é longa. Hj descobri este site e tive vontade de escrever. Sem dúvida compartilhar experiências parece-nos fortalecer nessa luta. Tomo medicamento p depressão e sei o que uma doença psiquiátrica significa. O seu caso me deu esperanças de que um dia meu pai volte a ter uma melhora significativa. Obrigada pela força!

sandro - 25 de julho de 2013

Parabéns, por sua determinação, hoje estou passando pela mesma doença mania de perseguição tenho 44 anos e um histórico desta doença na família, não tenho vida social pois fico com medo de tudo acho que alguém me persegue e conforme o tempo passa fica mais forte a sensação.

Ana - 14 de agosto de 2013

Sinto-me muito observada e acho que todos tem controle sobre a minha vida. Estou desempregada e tomo remédios para a depressão. Não consigo levar uma vida normal como a maioria das pessoas. Tenho muita dificuldade de falar do que sinto!!!

edna lojor - 25 de agosto de 2013

parabéns pelo depoimento.Baseando nele eu acho que sofro dessa doença.já vou até
procurar um médico.

Nadi - 10 de setembro de 2013

Parabéns, realmente, pelo espírito leve e por aceitar a sua doença e se tratar. Com certeza você se recompensa com todas essas conquistas que estão vindo.
Tenho uma sogra nessa situação, entretanto, ela não aceita. Alguém tem alguma ideia de como podemos ajudá-la a aceitar a doença e procurar tratamento? Se não partir dela, não adianta, não temos como obrigá-la a se tratar. Estamos muito preocupados, sinto que, se ela não aceitar tratamento, vai ter uma vida muito difícil.

Vanessa - 20 de outubro de 2013

Agradeço a todos pelas palavras de carinho. A doença psiquiátrica nos faz sentir muito frágil. É bom perceber esta rede de apoio!

Mas espero que minhas palavras cheguem especialmente para Sandro, Ana, Edna Lojor. Se vocês percebem que há algo de estranho e anormal acontecendo, como se sentir vigiado e acuado procurem tratamento médico, essa é uma doença da mente, traçoeira e perigosa. Não podemos deixar tudo evoluir, como disse, no início a gente consegue perceber algo de anormal, mas com o tempo e com a evolução a gente perde esse senso crítico. O momento ideal para o tratamento é logo no início da crise, pelo que vocês relataram estão passando por uma, não deem bobeira, cuidem-se. procurem tomar um antipsicótico. Há casos em que a depressão pode vir acompanhada do surto psicótico, mas tomar apenas o antidepressivo não resolve. O que pode ajudar é o antipsicótico mesmo. Para isso é nec

Vanessa - 20 de outubro de 2013

Para isso é necessário uma avaliação clínica com um psiquiatra. Relatem o que sentem, não omitam nada. Se omitirem podem causar confusão no diagnóstico. Procurem ajuda logo, esta é uma doença e precisa ser tratada!

Denise - 25 de outubro de 2013

Tenho um ex namorado que apresenta alguns sintomas que se assemelham e muito com o relato acima. Sou advogada, e ele também .. Uma pessoa incrível, entretanto não cogita a possibilidade de estar doente, e embora seus familiares sejam médicos também não aceitam o diagnóstico. [Por vergonha, não sei]. Estou tão em dúvida se sigo com este relacionamento adiante, afinal suas crises foram tão sérias, estou com medo* Não sei se pode piorar e ele me fazer algum mal, visto que fica violento. Preciso de um norte, e encontrei neste site a luz que precisava. [ O que devo fazer? ]

Vanessa - 30 de outubro de 2013

Denise, em geral as pessoas com esquizofrenia são pacíficas. Para contornar tudo o que eu sentia eu comecei a ler “Como fazer amigos e influenciar pessoas”. Veja, mesmo em crise quis resolver as coisas de forma amigável. Mas é compreensível que uma pessoa que se sente perseguida, vigiada, aviltada, queira se defender. Ele se sente acuado e não sabe como acabar com isso. é uma coisa interminável para quem sente, em todo momento tudo que as pessoas fazem são vistas como uma forma de perseguição. tudo, tudo mesmo é interpretado dessa maneira, como uma ameaça. Uma coisa entretanto é fundamental: ele precisa ser tratado! Isto é uma doença, não é frescura e não vai passar se não for tratada. Converse com os pais do seu namorado. Com ele não vai adiantar muita coisa pois ele tá em crise e é próprio da doença o sentimento de desconfiança. Mostre o site para os pais, diga que ele precisa de ajuda para o próprio bem dele. Peça para eles irem num psiquitra. Explique a situação. Entendo que é delicada pois afinal de tudo eles são médicos e não querem aceitar, mas se esforce para que ele tenha o tratamento adequado. Uma moça entrou na comunidade, caso parecido com o seu. Pai médico, filho advogado, ela também advogada, ele começou com os sintomas, ninguém entendeu e ele não foi medicado, resultado: se jogou da janela do edificio em que morava. Entenda, numa circunstancia dessas, nem ele mesmo está a salvo. Vc já assistiu uma mente brilhante? é um filme que mostra muito bem como a pessoa se sente. É dificil para quem não passa pela situação compreender o que acontece com a pessoa, mas é uma doença da mente e como tal precisa ser tratada. Agora, se vc termina ou não com ele é outra questão, acredito que vai do que você sente por ele, isso só vc mesmo para responder ou descobrir. Só peço que preste auxilio pois é uma pessoa doente, apenas isso. e que precisa de medicação urgente.

Vanessa - 31 de outubro de 2013

Denise,
Sempre me questiono sobre a força do destino ou do acaso. Depois de responder a vc, fui olhar mais sobre o blog, veja o que eu achei: http://www.youtube.com/watch?v=RSIGEXRbdXQ mostre esse vídeo aos pais de seu namorado. São dois médicos familiares de pacientes diagnosticados com doença mental (esquizofrenia) relatando a sua experiência com o familiar e com a doença. Achei importantíssimo quando uma delas disse que a primeira reação foi negar a doença. é o que acontece com a maioria das pessoas, é um estágio pelo qual passamos quando nos deparamos com uma situação inesperada e difícil. primeiro a gente nega! É o que eles estão fazendo, estão negando a doença. Mas precisam aceitar, precisam cuidar do filho. é principio da medicina- não omissão de socorro. Claro que eles não fazem isso por maldade, talvez até por desconhecimento do que seja esquizofrenia. eles são pessoas, assim como nós. não são deuses, como a gente gosta de acreditar. esclareça esses pontos para eles. peça para eles serem humildes e irem conversar com um psiquiatra. peça que eles leiam o que é esquizofrenia, mostre voce mesma se for necessário. mostre o site, converse com eles. esclareça a situação. mas não deixe isso passar em branco. seu namorado precisa de tratamento, medicação. com isso ele se recupera e tem uma vida normal, como a que eu tenho. mas quanto mais tardar o tratamento, menos chances ele tem de se recuperar efetivamente. eu torço tanto para que esta mensagem chegue a voce. e que vc possa proporcionar o tratamento ao seu namorado. acredite, vc vai se sentir melhor, independente de continuar com ele ou não, você pode não compreender agora, mas o sentimento de ajudar uma pessoa é muito gracioso. namorar com ele só se vc sentir amor, paixão. mas não é essa a principal questão agora. ele tem que ser tratado, está doente. mas pode se recuperar. um abraço em vc.

Sandra Caldeira - 13 de novembro de 2013

O que estranhei nos depoimentos e que observei que nenhum dos pacientes não faz terapia é isso?

noemir mendes de oliveira - 1 de janeiro de 2014

Espero ajudar um pouco com a experiencia que estou vivendo:
Meu filho, hoje com 39 anos e em tratamento, teve seu primeiro surto em meados de 2002, por ignorãncia e total desconhecimento da doença, permitimos que ele fosse para o EUA por onde ficou mais 05 anos, voltando, graças a Deus, em 2007 totalmente transtornado , tendo sido internado em um Hospital para doentes psiquiátrico. Saindo do hospital nunca medicava-se por achar que não era doente. E novas crises e mais internações…Até que em fevereiro de 2013, iriamos mudar de casa, ele no seu desvaneio mental, dizia que não iria, que aquele apto era dele, e que esta situação iria acabar mal… Na vespera da mudança, a familia veio p desmontar os ultimos moveis, ficando apenas o quarto dele para o dia seguinte. Quando todos sairam, ele questionou minha presença, dizendo voce ainda esta ai?!…Eu disse que ja estava de saida e pedi para almoçar, êle consentiu. Na verdade estava ganhando tempo para colocar a medicação na alimentação dele, pois ja fazia isto ha dois meses ( e ja notava«se algumas melhoras comportamentais) Mal acabei de almoçar êle volta e diz ainda nao foi?!… Foi a cozinha, voltou com uma faca, e desferiu-me a primeira, enquanto abria a porta , desferiu-me a segunda. Consegui sair, desci de elevador e fui socorrida… Por azar meu no momento exato passava dois carros da policia, e não teve jeito, por mais que pedisse e implorasse, meu filho foi preso… Graças a familia e amigos, foi logo transferido para uma prisao propria para pessoas com transtorno mentais onde ficou ate meados de dezembro. Hj ele esta comigo novamente, graças a Deus, está aceitando tomar a medicação. Ee foi sempre muito estudioso e é muito inteligente. Não conseguiu concluir os cursos ( engenharia civil e depois advogacia),passou em 12º lugar em concurso publico federal, mas a falta de tratamento, de medicação o impossibilitou de seguir a frente.
Agora, estamos vivendo uma nova fase, ele nunca ficou tanto tempo medicado, ja vai para onze meses, e a melhora é maravilhosa e surpreendente… estamos cheios de esperança e espero que um dia seja ele a dar este depoimento.
Meu objetivo é este ao passar estes fatos: não deixe de medicar«se, porque a doença é controlada, a pessoa pode viver normal, apenas medicar-se; caso contrario poderá ter consequências horriveis, hoje estou viva por milagre de Deus e ele esta em casa tambem por graça de Deus e a ajuda juridica de amigos, porque nosso Pais não esta preparado para cuidar da saude de quem é normal, muito menos de quem precisa de um tratamento mais especifico. Bom ano novo a todos e que Deus nos ampare sempre.

Sempre dia - 30 de maio de 2014

Então…é só uma conversa que não pode ser dita a todos, então, sem dúvida, vcs são meus melhores ouvintes.

Tem gente que passa pela dor e volta leve, manso, doce. Escreve poemas. Eu não sou assim. Realmente fiquei p. da vida com essa hist. de esquizofrenia. Puxa vida, por que logo comigo…
– Ahhh….como vc queria que eu estivesse (gritando e agitando os braços).

——

Mas tudo passa. Nada é eterno, se a alegria não é, muito menos eterna deve ser a dor.

Agora é fácil dizer isso porque está tudo bem. Nem tá tão bem assim, sua vida tá um caos. Não faz nada o dia inteiro. Como é mesmo aquele papo de ocio criativo

queria mesmo ter….

A questão é que a gente passa a aceitar, deslumbra outros finais para nós mesmos. Correr atrás do que quer é difícil para quem tem algo que afeta a volição. mas paciencia. sei que vvc vai conseguir, muitos em sua situação conseguiram. inclusive vc mesmo há um tempo atrás.

só não desperdice o tempo. ele não volta mesmo. relembre, as coisas não pareciam melhores a um tempo atrás
vá viver a vida. o que tiver que ser será…se entregue, sem muitos receios, com cautela é claro, mas viva com paixão! Procure ajuda. Há bons psiquiatras e bons psicólogos, os do CAPS muitas vezes são até mais experientes. Se mora em outra cidade, vc tem direito a passagem. Descubra o que tem que descobrir.

Reclame se tiver que reclamar, as vezes a vida tá f. mesmo! Mas não se apegue nem se atenha a isto. Não vai lhe ajudar. Pense sempre no que lhe é possível fazer….sempre haverá saídas.

Os depoimentos aqui confirmam isso.

Aos que chegam, não se assustem….a gente conquista, perde e depois reconquista! Não tomei posse em nenhum cargo, mas estou cada dia mais perto disso. se vc resolveu ser concurseiro, não desista! Quanto mais tempo vc passa nessa estrada, mais experiente fica!! Faça todas as provas e concursos que puder e quando estiver cansado e de saco cheio. descanse. vc merece um descanso sim. se de o tempo necessário. depois retome. recupere o prumo. veja como as coisas devem ser feitas! O texto jornalistico sempre deve responder, o que, quando, como, onde e porque. faça vc mesmo essas perguntas e as responda.

Conversar cai bem, procure alguém que lhe ouça. Infelizmente, muitas vezes os melhores mesmos são os psicólogos. Ou alguém mais sábio que vc. E que tenha passado pela mesma experiencia de preferencia. Mas não se exponha muito. Se preserve. Se vc resolve contar ao taxista que tem a doença, pode crer, vai contar para quem não deve. Então nem comece. Não conte a taxistas, farmacêuticos e estranhos afins.

Comece por onde deu certo, acredite em vc. mto do que vc n faz se dá pelo simples fato de se ver constrangido com uma doença dessas, com o que passou. o que passou, passou. bola para frente. relembre bons momentos, certamente eles houveram, refresque sua memória. sinta que vc é capaz de vive-los novamente.

tome seus remédios, todos os dias, todos os meses, todos os anos. se escorregou, levante! Tito cai e se levanta constantemente, sua queda, sua força. Aprenda a usar o que te fere e te derruba a seu favor. Não é fácil, eu sei. as vezes a gente esquece o caminho. esquece até de que é capaz de se reerguer. mas mantenha perto de vc as pessoas que te lembram disso. ao teu diário, não conte só tristezas. alimente-o também com o que dá certo. leia mensagens positivas, elas te fazem bem. de modo algum se apegue a amargura.

os homens andam complicados. fato. não é só com vc. o tempo todo, a vida toda é disse que eles e elas mais se queixam. (quando não sabem o que é sofrer de verdade). é até engraçado. tenha paciencia, o que é seu há de vir. e se não vier vc será feliz mesmo assim. vc já sabe, a felicidade só depende de vc. todo o resto é bobagem para encher linguiça. não dependa e não necessite de muito. livre-se dos excessos.

renata - 19 de junho de 2014

Oi tb me sinto perseguida os desenhos animados sempre me mandao indiretas sempre acho que todos tem uma segunda intencao um dia chamei a policia mais quando eles chegaram me escondi e disse pro mwu pai quw eles estavam disfarcados de policiais e muoito

SEMPREDIA - 21 de agosto de 2014

OLA Renata,

td bem com vc? OlhA SÓ, também já senti que a televisão enviava indiretas para mim. vc precisa ir num médico psiquiatra. conte a sua história, o que vc ssente. deve haver outras coisas também. vc pode procurar um médico do caps, do seu plano de saude ou particular. mas procure, faça assim que puder, quanto mais rápido vc for, mais chances disso parar! Converse com seus familiares, pai, mae e irmaos. indique o site!! um abraço

sempre dia - 24 de maio de 2015

É com pesar que comunico hoje, 24/05/2015, o falecimento do brilhante matemático, John Nash, e sua esposa Alicia, em um acidente de carro. Nós esquizofrênicos ficamos um pouco mais solitários, mas que a alma deles estejam em Deus agora.

Anônimo - 8 de setembro de 2015

Olá amiga, gostaria de saber qual o remédio que você toma e a dose ? Você consegue exercer advocacia mesmo depois de diagnosticada com esquizofrenia ? Você sente alguma limitação em seu trabalho por causa da esquizofrenia ? Se puder responder agradeço pois estou pensando em cursar a graduação de direito e não quero perder tempo estudando sem saber se terei algum retorno pois muitas profissões um esquizofrênico não pode exercer ,quero ter uma base por isso faço essas perguntas.

Ryan - 18 de setembro de 2015

Olá amigos do entendendo a esquizofrenia, legal esse depoimento , gostaria de fazer algumas perguntas para a moça do depoimento , se ela teve alguma dificuldade quando cursava a graduação e se ela sente alguma dificuldade na execução das suas tarefas executadas no dia a dia em especial em trabalhar ,tenho esquizofrenia e sofro por causa dos sintomas cognitivos ,você tem os sintomas cognitivos da esquizofrenia? e se sim como você fez para vencer obstáculos? Grato

sempre dia - 5 de agosto de 2016

olá, RYAN, vc pode enviar as perguntas por aqui mesmo. eu responderei.

mas voltando a questão de estudar. é o seguinte, obtive minha oab ante da doença se manisfestar com mais intensidade. o desafio agora são os concursos. passei em um bem simples, de nivel medio. meu objetivo agora é ser juiza federal. talvez impossivel, mas a gente não paga por sonhar, não é mesmo? desacostumei a estudar. estou tentando estudar pelo menos 15m tds os dias e prosseguir aumentando grdaativamente. se vc ainda está na faculdade, pode pegar menos materias, 5 ou 6 por semestre. a prova da oab tem a facilidade de ser vc x vc mesmo. uma dica: saiba quais materias vc tem mais afinidade e sabe mais. p. ex. se vc gosta de processo civil e direito penal, estude essas materias e garanta que vai gabarita-las. ética são 10 questões praticmaente de graça, faça td para acerta-las tb. assim, as ouytras vc pode contar com uma certa dose de sorte. leia sumulas publicadas de trás para frente, ou seja as mais novas e depois as as mais antigas. e se integre no mundo juridico atraves dos cursinhos, das páginas no face, sempre tem alguém dando uma dica boa. e principalmente: não se desespere. passar é uma questão de sorte, dedicação e entusiasmo. uma hr vc alcança mesmo sabendo que demora. lute pelo que vc deseja, se é isto: siga em frente. Deus lhe abençoe. vc conseguirá sim!! abcs

FELIPE SILVA - 5 de julho de 2017

nossa que bom interagir por aqui pq é dificil e muito costrangedor se abrir sobre isso já sofri muito

FELIPE SILVA - 5 de julho de 2017

a sensação de está numa corda bamba e a qualquer momento vamos cair e tudo virá novamente

Add your comment